Opinião

Reflexão para uma nova etapa

Colocado a 30-11-2009

Após o necessário tempo para esfriar as ideias, cabe-me aqui realizar a devida reflexão e conclusão de todo o trabalho realizado pelo Grupo “Por Amor às Taipas”, no que diz respeito à candidatura do Partido Socialista à Assembleia de Freguesia de Caldelas.

Podia resumir toda a reflexão a uma única palavra: “Orgulho”!
Sinto um enorme orgulho tanto no grupo criado, como em todo o trabalho realizado. Foi um trabalho de equipa, árduo, desgastante por vezes, mas sobretudo um trabalho limpo e honesto. O grupo foi fantástico, conseguiu-se juntar pessoas de várias idades, de diferentes zonas da Vila, com backgrounds diversificados, que deram uma enorme riqueza às actividades desenvolvidas.

Ao contrário do que muitos diziam, conseguimos manter durante todo o ano um nível bastante elevado e constante de actividades, produção de conteúdos, intervenções públicas e publicações, nomeadamente, os testemunhos, as visitas à Vila, as reuniões com as empresas e associações, o debate público… ouvimos o povo das Taipas como ninguém ouviu até hoje! Como consequência, conseguimos construir um programa eleitoral bastante completo e abrangente, sem esquecer os pontos mais importantes. Contrariamente ao que outros tentam passar, o nosso programa eleitoral era bem diferente dos restantes, tocava em pontos muito importantes para o desenvolvimento da Vila, a que mais nenhum programa fazia referência. Pensava a Vila como um todo...

Optamos pela transparência.
Todas as nossas actividades foram devidamente reportadas, tanto em texto como em fotografia e até vídeo, que partilhamos com toda a gente, e anunciadas com a devida antecedência, sem estar com jogadas de última da hora ou cartas escondidas. Todo o processo de tomadas de decisões, mesmo em relação aos temas mais polémicos, foram partilhados com todos os Taipenses, não se escondeu nada, para o bem ou para o mal.

Fizemos uma campanha pela positiva.
Salvo raras excepções, optamos sempre por dar destaque à consulta dos Taipenses e discutir os projectos que tínhamos para a Vila. Podíamos facilmente decidir enveredar pela critica fácil, até porque existiam vários casos de más práticas de gestão a que o executivo da junta nos ia habituando.

Apesar do excelente feedback que vínhamos tendo da população, sempre achei que seria uma tarefa difícil chegar à vitória.
Desde logo, porque se olharmos para o panorama nacional, vemos que raramente, ou mesmo nunca, se consegue derrotar maiorias populistas. Por outro lado, tendo em conta as últimas eleições autárquicas, era quase certo que os 250 votos do MTAC recairiam para o PSD, tal foi o apoio prestado por destacado membro deste movimento à candidatura deste partido.Parte dos votos da CDU (à volta de 150) já há muito dizia que iriam sair desta força partidária, e também estes caíram no PSD (quem conhece a Lameira sabe que assim foi). Isto aconteceu, sobretudo, porque a CDU gastou mais energia e tempo a criticar a candidatura do PS do que a própria junta.Por fim, o sentimento anti-Guimarães, este forte sentimento existente nas Taipas penalizou-nos bastante. Várias pessoas me disseram que acharam o nosso trabalho arrojado e que tínhamos a melhor equipa, mas que não eram capazes de votar no partido do poder em Guimarães.
Todos estes argumentos faziam-me pensar que não seria fácil conseguir a maioria dos votos. Diria mesmo que, apesar de achar que esta forma de fazer política (populista) em nada contribuirá para o desenvolvimento das Taipas, parece-me legítimo que, em democracia, a População escolha esta via, e se é isso que o Povo quer resta-me respeitar essa decisão.
Por fim, existiram cerca de 200-300 pessoas que tradicionalmente não apareceriam para votar e, desta vez, surpreendentemente, apareceram. Tipicamente (basta analisar os actos eleitorais de 2001 e de 2005 nas Taipas) temos mais gente a votar nas eleições legislativas do que nas eleições autárquicas. Contrariamente ao esperado, nas eleições autárquicas de 2009 registaram-se cerca de 200 votos a mais do que nas legislativas realizadas duas semanas antes. Quem terá ido “buscar” esta gente a casa? A candidatura do PS não foi de certeza…

Diria então que a candidatura do PSD tinha muitos argumentos para, sem grande esforço, manter o poder na Junta de Freguesia e vencer estas eleições. Contudo, pelos vistos para a candidatura do PSD, tudo isto não era suficiente e, talvez com receio, decidiram enveredar por uma campanha baseada na mentira, na calúnia e na provocação.
Foi a calúnia sobre danos na enorme (e cara) lona, que cobre a “Pensão Vilas”, expressa num comunicado de imprensa, quando toda a gente sabe que tal se deveu ao mau tempo.
Por três vezes retiraram todos os cartazes que havíamos espalhado pela Vila.
A provocação com o pequeno e frágil cartaz da JSD, junto ao da JS no Centro da Vila.
A marcação da festa comício para o mesmo local e hora da nossa, sabe-se lá com que intuito (sensatamente decidimos ir para o parque para evitar problemas).
A distribuição, de uma forma descarada e consciente, de um panfleto cheio de mentiras pela Vila, dias antes das eleições (não tinha uma verdade que fosse, só mentiras).
No próprio dia das eleições, com o acto a decorrer, assistimos a alguns actos, praticados pela JSD e destacados membros do PSD local, menos claros e pouco ortodoxos, sobretudo com pessoas idosas.
Enfim, atitudes que em nada dignificam a junta nem as pessoas que agora exercem a sua gestão, mas, infelizmente, assim se faz política na nossa Vila.

Reconheço também que cometemos alguns erros, sobretudo quando tentamos comunicar ao mesmo nível da candidatura do PSD, usando de algum Populismo. Acho que nos saímos mal porque não é esse, de facto, o nosso registo e acabamos por ser mal compreendidos.
A Transparência que adoptamos, se em termos éticos seria espectável, em termos políticos, principalmente numa fase eleitoral, tornou-se numa oportunidade para o jogo sujo do nosso adversário.
Dizem que começamos cedo de mais... É lógico que, para quem quer fazer um trabalho sério e dedicado, como nós fizemos, todo o tempo é pouco. Também não deixa de ser verdade que, ao começarmos tão cedo acabamos por dar mais oportunidades ao nosso adversário para minar o nosso trabalho.
Temos que concordar que não fomos capazes de chegar com a nossa mensagem a toda a população. A oposição conseguia da manhã para a tarde espalhar uma mentira pela Vila, quando nós nem em semanas conseguíamos transmitir uma verdade. Talvez não tenhamos usado os meios mais adequados, mas também devo confessar, de outra forma não o saberíamos fazer... existem meios que não estão ao nosso alcance e outros que rejeitaremos sempre utilizar, pois temos outros valores e convicções.

Dos resultados das eleições reservo ainda a seguinte leitura:
– Tendo em conta a votação da CDU em 2005 para uma assembleia de 9 deputados, onde esteve por pouco a conseguir o 2º deputado, seria mais que natural que em 2009, agora numa assembleia composta por 13 elementos, este mesmo partido alcançasse os 2 deputados.
– Dos 4 novos deputados que estavam em disputa nestas eleições (13-9=4), o PS conseguiu 2, o que me parece em si um bom resultado. Num universo de 3 partidos conseguir 50% dos novos deputados. Tipicamente os restantes 2 seriam um para a CDU e outro para o PSD, e assim o PSD perderia a maioria.
A CDU não só não conseguiu acrescentar mais 1 deputado à sua bancada como ainda conseguiu perder o único que tinha. Parece-me claro que o grande derrotado destas eleições foi a CDU. É incontornável que o PS perdeu estas eleições, mas perante estes números (onde inclusive o PS sobe 35% no número de votos) não se pode dizer que foi o grande derrotado, até porque cumpriu com parte da sua obrigação ao aumentar o número de deputados de 3 para 5.

Bem, tudo isto são vicissitudes da política. Confesso que não tenho qualquer experiência política, mas estava já à espera de alguns “trocadilhos” destes. Confesso também que não esperava que as calúnias fossem tão longe, sobretudo as que recaíram sobre algumas pessoas de indubitável percurso e carácter da nossa lista.
Existia de facto uma grande força e dinamismo na nossa candidatura, capacidade de planear, capacidade de implementar, capacidade de gerir.

Foi com tudo isto em mente que decidimos dar continuidade ao Grupo “Por Amor às Taipas”. Achamos que todo o trabalho, o espírito de equipa e o voluntarismo conseguido não devia ser desperdiçado e acabar no passado dia 11 de Outubro.
É com o mesmo orgulho e empenho, com que trabalhei no último ano, que agora anúncio a nova etapa deste grupo de trabalho. Começamos por dar uma nova dinâmica ao site (www.poramorastaipas.org), aproveitando para lhe dar uma refrescadela visual também. Daremos destaque a artigos de opinião, elaborados por pessoas da Vila, notícias dos acontecimentos mais marcantes, aos problemas da Vila, cobertura das actividades realizadas pelo grupo, bem como à actuação dos membros eleitos pelo PS para a Assembleia de Freguesia e respectivas actividades da junta, sempre na defesa dos interesses da Vila e dos Taipenses.
O Site será um meio de comunicação e ao mesmo tempo o mote para a continuidade do grupo e desenvolvimento de actividades.

Acho que aprendemos bastante neste último ano, tanto com as nossas conquistas, como com os nossos erros, daí que esteja convicto da nossa capacidade de apresentar um trabalho meritório e de chegar com ele a toda a população.

Esperamos, sinceramente, com as actividades deste grupo, contribuir para o desenvolvimento da nossa Vila.

Pelas Taipas

José Maia Freitas

Assembleia de Freguesia 28 de Dezembro 2009

Realizou-se no passado dia 28 de Dezembro a última assembleia de Freguesia do ano de 2009, correspondendo à primeira desde que o novo executivo da Junta e mesa da assembleia foram empossados...