Austeridade sem crescimento é uma receita explosiva!
Ricardo Costa
Colocado a 14-02-2012
|
|
O caminho que o Governo Português está a seguir, orientado pela Troika, vai conduzir-nos à depressão económica.
Este governo está claramente a ir muito além das recomendações do Triunvirato. Está completamente autista quanto à s necessidades sociais do PaÃs, ao nÃvel do desemprego actual, aos cortes cegos na saúde, movendo-se apenas com um único objectivo: mostrar à s instâncias Europeias que cumpre com o plano traçado, nem que, para isso, coloque em causa a sobrevivência de muitas e muitas famÃlias portuguesas. É verdade que temos de ter uma atitude de credibilidade perante os organismos Europeus, quanto mais não seja para obter a confiança dos mesmos, mas não é menos verdade, que podemos colocar em causa a sobrevivência de um povo só para demonstrar a nossa determinação. Essa determinação pode e deve ser demonstrada com um reajustamento do financiamento obtido! E porque não fazê-lo agora, evitando uma calamidade social e económica? Trata-se de ter uma atitude responsável para com a População Portuguesa! Não é possÃvel obter receitas fiscais, capazes de fazer face ao pagamento das dÃvidas de Portugal à Troika, sem crescimento económico.
Sendo o PIB (produto interno bruto) de Portugal, cerca de duzentos mil milhões de euros e o valor do empréstimo concedido a Portugal representar cerca de 40% desse valor, como será possÃvel libertar meios para liquidar esse empréstimo, num prazo de 3 anos, se não existir um aumento considerável da receita, seja ela fiscal ou extraordinária? E se conjugado esse aumento de receita fiscal não tiver subjacente crescimento económico? Só existirá um caminho a seguir para cumprir com a Troika, mais e mais impostos, o que nos levará à recessão atrás de recessão, levando-nos à depressão económica e, provavelmente, ao colapso económico-financeiro! “Cumpriremos o programa, custe o que custar", diz o nosso Primeiro Ministro! Pois se assim for, só existirá um caminho: cortes nos apoios sociais, no serviço nacional de saúde, na educação e na venda das nossas jóias da coroa (EDP, REN e outras), para gerar poupança capaz de fazer face à liquidação do endividamento assumido. Mas este não pode e não deve ser, de todo, o caminho a seguir, pois se insistirmos nesta conduta, vamos ter uma explosão social nunca antes vista.
O caminho a seguir, na minha opinião, é claramente fazer um ajustamento do memorando de entendimento, no sentido de alargar o prazo por mais dois anos, isto é, até 2016, pagando apenas juros nos dois primeiros anos, para que seja possÃvel a Portugal libertar meios capazes de fazer face ao endividamento assumido e ter um espaço temporal capaz de reduzir a despesa desnecessária nos vários ministérios que possui, sem colocar em causa o normal funcionamento dos mesmos, e investir na economia para salvar muitas empresas, que de outra forma atirarão mais pessoas para o desemprego, agudizando ainda mais os problemas sociais que temos.
Austeridade sem crescimento, conduzir-nos-à depressão económica.
Só não vê quem não quer ou não entende!
Ricardo Costa