O Enclave
Por José Maia Freitas
Colocado a 30-11-2011
|
|
Nunca fui muito de ir em modas nem em preconceitos, muito menos de usar frases feitas para justificar as minhas atitudes. Dentro das minhas possibilidades e limitações tentei sempre ter a minha própria leitura de tudo o que me rodeava, tentando perceber de que forma poderia melhorar. Debati e esgrimi fortemente argumentos e ideias por todo o lado onde passei, quer dentro quer fora do paÃs. Deste esgrimir mudei mais eu que porventura terei conseguido mudar terceiros, mas sobretudo cresci e amadureci. Trata-se de uma convicção forte da minha parte, quer esteja certa quer esteja errada, de que só esgrimindo e debatendo argumentos e ideias conseguimos perceber melhor o que nos rodeia, conseguimo-nos perceber melhor a nós próprios.
Já a transparência na gestão da coisa pública vai bem para além de uma mera convicção, estou certo de que é indispensável e deverá estar sempre indissociável da gestão diária de uma empresa ou instituição de capitais públicos (basta ler esta notÃcia para perceber a importância da transparência)
Nesta minha recente participação na vida pública e politica Taipense, de forma alguma poderia "trair" as minhas convicções, muito menos contornar aspectos que considero essenciais ao desenvolvimento de uma nação, como a questão da transparência, apenas por mero preconceito, por receio de ser diferente e não seguir esta "cartilha" preconceituosa do deve e não deve ser dito e feito que norteou e norteia ainda muita gente. Quem está numa posição activa na vida pública deve estar preparado para discutir com quem quer que seja, onde quer que seja, o que quer que seja relativamente às instituições onde está inserido.
Agrada-me o pensamento livre e directo, sincero e transparente.
Faz-me confusão ver gente a agarrar-se a frases feitas para fugir ao debate claro e público de ideias e argumentos.
Faz-me confusão ver gente a agarrar-se a frases feitas para tentar justificar faltas graves à verdade.
Faz-me confusão ver gente a agarrar-se a frases feitas para atacar de uma forma voraz uma cooperativa pública Taipense quando esta evidencia uma dinâmica e desenvolvimento nunca antes demonstrados. Se antes havia uma crÃtica, quase em surdina, de que o património da cooperativa Taipas-Turitermas estava um pouco degradado, agora que, com algum esforço e dedicação, se recupera o património, se dá uma estratégia e uma função de uma forma clara e transparente (e atenção, são as pessoas conhecedoras do meio que o dizem, são os resultados da empresa que o comprovam) de repente arma-se um tremendo terramoto e dizem-se “cobras e lagartos” com uma agressividade nunca antes vista. Que me desculpem, mas isto não é racional, diria mesmo que está bem para além do inteligÃvel.
Nauseabundas, que eu me lembre, estavam as Termas em finais dos anos 70. Encerradas, a entrar em avançado estado de degradação e as águas em perigo de inquinamento. Na altura, não fosse o Dr. Augusto, com a ajuda da Câmara de Guimarães, e nestes últimos 30 anos terÃamos assistido à completa ruÃna do edifÃcio e da actividade termal. Para salvar as Termas, a Câmara criou uma cooperativa e tornou-se a maior accionista da mesma (com mais de 90%). Ora, como em qualquer empresa, é o accionista maioritário a quem cabe a escolha do responsável para a gestão da mesma. Esse responsável, bem como o respectivo accionista maioritário, deve ser avaliado pelos resultados obtidos.
Faz-me confusão ver gente a agarrar-se a frases feitas para avaliar terceiros sem ter em conta os seus resultados, ignorando de uma forma cega os efeitos obtidos.
Faz-me mais confusão ainda ver gente a agarrar-se a frases feitas para crucificar alguém sem antes este ter sequer a hipótese de mostrar resultados, mesmo tratando-se de alguém com uma vasta experiência e capacidade de gestão, com uma carreira que fala por si. Mesmo antes de poder começar a trabalhar tentaram logo boicotar e condicionar todo o seu projecto.
Tudo isto me faz confusão de facto, na nossa Vila fica-se com a impressão que a politiquice é bem maior e vem com vagas de maior radicalismo de pessoas que nunca tiveram a coragem de dar a cara por projectos polÃticos que tentassem mudar as Taipas.
Não deixa de ser também surpreendente que quem ataca com toda esta veemência a quem faz um trabalho dinâmico e transparente, passa, no entanto, uma esponja por todas as atrocidades, desonestidades e até ilegalidades feitas pelas pessoas que compõe o executivo da Junta. Lembro-me de repente, entre outras, da grave mentira levantada sobre a reprovação do lar de Idosos do CSPMJS, das habilidades feitas com idosos no último acto eleitoral, do contrato assinado para o arrendamento da ruÃna da Pensão Vilas (grave abuso de dinheiros públicos), da constante recusa por parte da Junta de partilhar documentos públicos, da extracção de areia do Rio Ave de uma forma ilegal, e por aà fora...
É estranho que todas estas situações não mereçam sequer um único comentário, uma tomada de posição... nada...
Estão, assim, criadas condições exÃmias nas Taipas para o desenvolvimento de um populismo fora da lei que tanto sucesso tem tido em várias regiões do paÃs. Esta é, de facto, uma receita antiga que, infelizmente, continua a vingar em Portugal e que tem colocado o paÃs na posição que todos conhecemos.
Todo este radicalismo e separatismo cego que se vive hoje nas Taipas servem apenas os interesses de partido A ou B, nunca servirá a Vila e os seus habitantes. Este populismo fora da lei que se pratica e se alimenta destes radicalismos e separatismos servirá apenas a pessoa A ou B de determinado partido na sua cavalgada interna, nunca a Vila e os seus habitantes.
Pessoalmente, dentro dos meus valores e convicções, mas também dentro da minha disponibilidade e limitações, chego a ficar sem perceber como melhor poderei ajudar esta Vila neste terreno pantanoso e escorregadio que, consciente, inconsciente ou até cegamente, alguns a estão a tornar. Fico mesmo com a sensação que quanto mais me empenho, quanto mais faço, maior e mais violenta é a reacção. Fico com a sensação que para muitas pessoas quando isto estava mau é que isto estava bem...
Enquanto isso, vou continuando a dar o melhor que sei e que posso para facultar outra vida às Taipas, sem deixar, com certeza, de pagar todos os meus almoços...
José Maia Freitas